23 agosto, 2011

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19 julho, 2011

CULTURA PROFISSIONAL DO SOCIÓLOGO

TÓPICOS DE UM DEBATE NO SINDICATO DOS SOCIÓLOGOS DO RIO DE JANEIRO

Aproveitamos a oportunidade para relatar os ardis na construção de um perfil profissional para os Sociólogos egressos dos cursos de Ciências Sociais, especialmente em São Luís/MA. Após mais de 25 anos de curso - com professores lotados no Departamento de Sociologia e Antropologia (com mais de 35 docentes), concursados com diplomas em Teologia, Psicologia, Pedagogia, História, Filosofia, Assistente Social, Medicina, etc., - não conseguimos criar um Estágio de Bacharelado condizente com os anseios dos estudantes, com as exigências da Lei e das Normas do MEC. 
Como não há campo de estágio - em função de mais de 25 anos de desinteresse pela formação profissional - os discentes são direcionados para os Grupos de Pesquisas dos Professores; o que na prática significa serem condicionados a só ter como opção seguir uma carreira acadêmica na Pós-Graduação. 
A mentalidade dominante é aquela que defende que a Sociologia deveria ser uma disciplina academista, oferecida no Ensino Superior; nada de ser uma carreira profissional, ou até mesmo, nada de ser oferecida no Ensino Médio. 
Quando Associações Científicas, como a ABA, desprestigiam os diplomas em Ciências Sociais, e até mesmo em Antropologia, e em Sociologia, dá o sinal para os estudantes que possuir diplomas destes cursos é indiferente. Difunde-se assim uma mentalidade academista, intelectualóide, anti-profissional, em que os egressos nunca são colocados em contato com outras, e novas, opções e possibilidades profissionais.  
O 'academismo' nos parece um escudo que se usa para encobrir práticas duvidosas, pois é exercício de poder simbólico a partir de capital cultural acumulado por pouquíssimos; quase sempre como estratégia carreirista. Se não se estabelecem regras e códigos universalizantes de acesso as competências e as habilidades, com a conseqüente definição adequada de pertinências profissionais, instauramos um quadro de indefinições muito pernicioso... Não queremos ser formalistas, mas temos assistido a um verdadeiro vale-tudo; sob o disfarce da inter/multi/disciplinaridade, transversalidade, etc. É uma mascarada academista; sem querer ser desagradável - não estamos tratando aqui de casos particulares, mas de dominantes psicossociais... 
Tal ideologia é ardilosa e tem nos lançado num labirinto sem saída, já que os egressos dos cursos de bacharelado não conseguem construir um perfil profissional (é só perceber a dificuldade da sindicalização). Para os academistas um Sindicado dos Sociólogos é uma aberração: - Intelectual acadêmico é um "espírito livre"! Desqualifica-se a luta profissional, em nome de um "pesquisador flaneur". Isso até pode ter algum glamour boêmio, e funcionar nos botequins da vida, mas e os bacharéis que querem ter um ofício sociológico e sustentar a si, a seus filhos e a sua família?
Sinceramente, tal estado de coisas é lamentável e nossa complacência com isso, - que no fundo é uma cumplicidade pequeno-burguesa - já chegou ao limite do paroxismo! 
Assistimos, há décadas, essas (im)posturas; especialmente quando, de modo cínico, se diz que a Sociologia não é profissão, é um saber; mas quando interessa é "muito profissional" e "tecnocrática"! (...)
Não temos ainda posição firmada sobre a questão dos Conselhos (Regionais e Federal) ou Sindicatos; para nossa profissão. Gostaríamos, no entanto, de continuar contribuindo para o debate introduzindo mais alguns aspectos - particularmente relacionados as possibilidades de criação e difusão de uma 'cultura profissional' para o sociólogo. 
Nossa experiência em Coordenação de Curso de Graduação em CS, por duas oportunidades, nos fez conhecer, e ter que refletir, problemas que nunca tínhamos pensado; mesmo depois de quatro anos de formação no IFCS/UFRJ (aliás, um curso que, na época, foi levado sem qualquer compromisso profissional, por grande parte dos docentes). Quando pensamos nisso, lembramos de Maurício Tragtemberg e seu texto 'A Delinquência Acadêmica'... Aquelas atitudes negligentes dos docentes - salvo raras e heroicas exceções - em relação ao Curso e a formação dos discentes, é muito lamentável! 
Bem, mais desculpando os excessos no peso das palavras mais críticas, consideremos os seguintes aspectos:     

1. Queremos ser 'Profissão'?

Nossos alunos que gostam de Sociologia, e que não vão seguir carreira como docentes de nível médio ou superior, têm tomado algumas atitudes interessantes. Eles continuam o curso e tem apego a disciplina, contudo, como não encontram compromisso profissional dos docentes (totalmente desorganizados como categoria profissional), resolvem fazer outro curso de graduação. Assim, temos nossos alunos cursando, as vezes simultaneamente, Contabilidade, Direito, História, Pedagogia, Psicologia, etc. Cursos que têm 'cultura profissional' já estabelecida. Nossos alunos então procuram compensar essa angústia de gostar de um Curso, sem cultura profissional, cursando outro que lhes dá essa segurança. Resultado disso, é a difusão de uma mentalidade em que a Sociologia se confunde ainda com um tipo de Filosofia Social; ou algo como uma cultura de Humanidades, a qual nossos alunos se vêm atraídos por alguma vocação, mas que não desenvolve profissionalmente. Sociologia se torna um tipo de hobby, um requinte intelectual, um papo interessante para as festinhas da Universidade...

2. Empresa Júnior de Sociologia (EJ): é possível?

Outro ponto interessante é o que concerne a possibilidade de criar uma E.J. A maioria se pergunta: mas como? Sociólogo serve pra quê? Pergunta que se faz durante o transcorrer do próprio Curso! Até professores do Curso dizem que isso não é possível, e que não tem nada a ver criar uma E.J. Mas, quantas oportunidades profissionais uma EJ não abriria para os estudantes? Pesquisa de mercado, de opinião, de assessoria política, eleitoral, projetos de gestão, levantamentos de dados, etc. 
No tempo em que era Coordenador, comerciantes e empresários, vinham propor esse tipo de trabalhos! Mas, o intelectualismo e o academismo, bloqueavam, e bloqueiam... Até hoje já houveram 3 EJ's que desaparecem por falta de apoio dos docentes. A título de ilustração, o estágio de bacharelado é atualmente dirigido por uma Psicóloga, com formação em Psicanálise!

3. O que fazer?

Esse quadro é desalentador, pois é difícil criar uma cultura profissional enfrentando uma contra-cultura profissional; cultivada pelos próprios docentes. A cultura anti-profissional é muito poderosa, em nossa área. Caso não haja uma definição mais específica para a atuação do profissional, e, - de modo mais corporativo mesmo -, não se desenvolver essa cultura, continuaremos vivendo esse cenário de indefinição; difundindo uma mentalidade 'intelectualista' e pseudo-academista. Tendo em vista que a indefinição quanto as competências e as habilidades profissionais se perpetue, os alunos e estudantes continuarão considerando a Sociologia um tipo de conhecimento diletante, humanístico, etc. Essa é a questão a ser enfrentada; ou assumimos a Sociologia como pesquisa, docência e TAMBÉM, profissão, ou desistimos de tentar cultivá-la como 'profissão'. Nessa última opção, não é preciso Sindicato ou Conselho, pois professor tem seus sindicatos, e o pesquisador, responde pelos Conselhos de Ética da pesquisa; nas associações científicas... Caso consideremos a possibilidade real de uma profissão de sociólogo, como uma profissão autônoma e liberal (no sentido profissional), então, temos que trabalhar, e muito, para a difusão de uma cultura profissional do sociólogo (tarefa que parece ser exclusiva dos sindicatos). Nessa escolha, devíamos produzir vasto material de difusão de uma cultura profissional do sociólogo, recolhendo experienciais internacionais; promovendo, de modo intenso e massificador, nosso trabalho profissional. Esse é o desafio: superar a fase intelectualista e academista da disciplina, e dar o salto de qualidade para a atuação profissional.

4. O tema do debate: a profissão de Sociólogo é impossível? 

Ela é possível nessa sociedade? Ou trata-se de uma atividade ou disciplina científica e intelectual, sem utilidade profissional concreta? Sociologia pode ser uma atividade profissional? Um sociólogo pode ser produtivo; ou sua visão crítica de tudo atrapalha e é improdutiva? Quem pode exercer um trabalho sociológico? Qualquer um? Precisa ou não de diploma de bacharelado? Temos uma lei federal, desde 1984: diferentemente do 'antropólogo' e do 'politicólogo'... Mas, muitos de nós ainda não ofereceram a resposta adequada a estas questões essenciais. Aliás, na verdade, não querem, e nem desejam respondê-las... daí o conformismo... Em termos teóricos seria bem interessante retomar as ideias de Immanuel Wallerstein, especialmente as reflexões contidas na obra que tem o sugestivo título O Fim do Mundo como o Concebemos: a Ciência Social para o século XXI. De algum modo devemos 'impensar' os cânones de nossa disciplina e superar esses impasses. Pode ser que, na verdade, a profissão de 'sociólogo' seja impossível! Ao menos no contexto em nos encontramos inseridos... Mas, pode ser que seja possível; todavia, sobre outro patamar de atuação...
Saudações sociológicas! 
Alexandre F. Corrêa

(...) Contribuição ao Debate:

Gostaria de responder algumas questões e levantar outras tendo em vista que sou um Sociólogo Profissional há seis anos no mercado. A pergunta sobre se queremos ser profissão já denota que sua experiência com a Sociologia se limita à academia. Visto que nós já somos uma Profissão bem reconhecida e com respeitáveis salários tanto no Brasil como no exterior. O que acontece é que como existe uma negação da academia as demandas do mercado a maioria dos nossos colegas se formam como analfabetos funcionais em Sociologia. Desta maneira não conseguem emprego na área ou bons salários pelo simples fato de desconhecerem as aplicações básicas da Sociologia. Por exemplo, boa parte dos Sociólogos formados cursou somente Estatística I enquanto que no mercado profissional da Sociologia é esperado que um Sociólogo saiba bem tanto Análise de Dados Nominais como Análise Exploratória de Dados, incluindo os softwares aplicáveis, como o SPSS, Minitab, Geoda, SAS, etc. De fato vários Sociólogos hoje são dotados de dupla graduação, onde me enquadro. Alguns cursam Sociologia somente como um requinte intelectual. Mas aqueles Sociólogos de dupla formação que atendem a demanda do mercado, trabalham como Sociólogo, visto as boas oportunidades de emprego e de salário. A minha opção pela Sociologia, ao invés do Direito, se deu por esse fato. Tive melhores oportunidades de trabalho e salário que a maior parte dos meus colegas que fizeram Direito, inclusive os concursados. as exceções são raras. O salário inicial de Sociólogo é maior do que o de um recém formado em Direito atualmente. Vários amigos com formação dupla em Sociologia e outros cursos estão no mercado como Sociólogos pela mesma razão. Mas seus currículos apresentam matérias eletivas reconhecidas pelo mercado, como Marketing e métodos quantitativos, assim como passaram pela Empresa Junior ou Núcleos de Pesquisa de outros departamentos que estão ligados ao mercado. 

EMPRESA JUNIOR EM SOCIOLOGIA

Garanto que a Empresa Junior hoje já não é uma questão para ser debatida, mas sim a primeira possibilidade de inserção no mercado daqueles que desejam atuar como Sociólogos. Muitas vezes a única oportunidade para aqueles que chegaram à faculdade oriundos de classes sociais menos privilegiadas. Hoje uma graduação de Ciências Sociais sem Empresa Junior é uma instituição fora da realidade. Em nossa empresa a seleção dá preferência aos formandos que passaram pela Empresa Junior. A cultura profissional de Sociologia já existe, principalmente com a ascensão dos setores de Marketing, Recursos Humanos, Redes Sociais, Responsabilidade Social, Pesquisas Eleitorais e de Opinião, Políticas Públicas e outros onde dominamos e comprovamos ter competência estabelecida. Este discurso acadêmico anti-profissional é meramente político e desconectado da realidade do mercado, além de totalmente irresponsável. Eu conheço professores acadêmicos e colegas com esse discurso, mas que vieram a necessitar dos serviços dos Sociólogos Profissionais. Os salários e carreiras na nossa área somente são bons e competitivos com outras profissões pelo fato de que poucos Sociólogos saem devidamente qualificados da academia para atender ao mercado. Quantos colegas vocês conhecem que são capazes de analisar uma regressão linear? Quantos bacharéis são formados sem nunca ter visto um laudo antropológico utilizado em processo de demarcação de território indígena ou quilombola? O problema da profissão não está no mercado, mas sim na formação acadêmica do Sociólogo. No fim os cursos de graduação só dão base para a licenciatura. O bacharelado é outro perfil - quem não tiver visão ou orientação durante a graduação perdeu a chance de ser um profissional. Assim no momento o bacharelado produz alguns poucos futuros professores universitários, mas sem qualquer experiência profissional - requisito este indispensável em profissões como Direito, Medicina e Engenharia nos quais o profissionalismo é valorizado. 
Att., Alessandro Farage Figueiredo.

13 julho, 2011

Prática de Estudantes de Licenciatura em Sociologia é Destaque no Portal do Professor

"Uma equipe de 16 estudantes do curso de licenciatura em ciências sociais da Universidade Federal de Viçosa (UFV) atua, desde março de 2010, em duas escolas públicas daquele município da Zona da Mata mineira. 
A participação deles está ajudando professores não formados na área a consolidar a disciplina de sociologia na educação básica, já que as escolas de Viçosa não contam com professores de sociologia formados em ciências sociais. Sua atuação ocorre nos três anos do ensino médio das escolas estaduais Effie Rolfs e Raimundo Alves Torres (Esedrat), sob a coordenação do professor Diogo Tourino de Sousa, da UFV.
A estudante Mariana de Lima Campos, integrante do 6º semestre de ciências sociais, conta que o programa tem incentivado os alunos do curso a optarem pela licenciatura, associando pesquisa e ensino na construção de novas técnicas de abordagem da disciplina, bem como no desenvolvimento e elaboração de material didático. “Antes do programa, era quase consensual nos cursos universitários que os “bons alunos” fossem direcionados para o bacharelado, com a finalidade de atuarem em pesquisas, trilhando um caminho futuro na pós-graduação, sendo que aos demais, considerados “maus alunos”, restava a docência”, analisa Mariana.
Ela explica que uma das metas do programa é a busca por novas estratégias de abordagem da sociologia em sala de aula, fugindo da tradicional aula expositiva. Segundo ela, a equipe tem liberdade para pensar, discutir, criar, oferecer propostas aos professores supervisores dos dois colégios, bem como de aplicar inovações na prática de ensino. A percepção geral do grupo sobre o andamento das aulas apontou a necessidade do uso de outras metodologias de ensino, com o objetivo de envolver um maior número de estudantes. “Foi assim que pensamos na elaboração de um jogo de tabuleiro”, relata a universitária.
Originalmente pensado como uma forma de reverter a apatia de alguns alunos da Esedrat, durante as aulas de revisão do bimestre, o jogo foi confeccionado de maneira artesanal numa cartolina, tendo como ponto de partida o “mundo antigo”, representado graficamente por um castelo medieval, e como ponto de chegada o “mundo moderno”, representado por uma grande cidade. Antes de cada jogada, os participantes organizados em duplas ou trios, deveriam lançar o dado. Assim iam avançando, passando por casas e etapas representando as conquistas, problemas e desafios do mundo moderno, como as invenções científicas, a transformação das relações, os impactos ambientais, a favelização, entre outros. No percurso existiam casas com perguntas sobre os autores discutidos nas aulas de sociologia e, caso os alunos acertassem as respostas, teriam direito a jogar o dado novamente.
Como os resultados foram muito positivos, com um grande envolvimento dos alunos, a equipe de professores resolveu ampliar a experiência, elaborando outros jogos para serem adotados em outras turmas do projeto. “De forma geral, os estudantes conseguiram esclarecer o conteúdo ministrado no bimestre de maneira lúdica, sem sentir a aula como monótona”, diz Mariana.
Ela salienta que, no início do programa, os bolsistas não tiveram uma boa impressão, nem do modo como os alunos recebiam as aulas de sociologia, nem do modo como a disciplina era trabalhada nas escolas. “Parecia que a disciplina não tinha uma abordagem científica”, avalia. Em sua opinião, os estudantes e os professores de outras disciplinas tendiam a ver a sociologia como o espaço do “achismo”, lugar da opinião sem ciência.
“Logo constatamos que se tratava de uma etapa da própria consolidação”, destaca Mariana. “Percebemos que o trabalho da equipe começou a surtir efeito, despertando a atenção dos alunos, seu envolvimento, sua familiaridade com os bolsistas”, adianta a futura professora. E isso, no seu entender, mostra como o ensino de sociologia tem um futuro promissor, a partir do momento em que universidades, escolas, estudantes e professores forem capazes de construir redes de troca de experiências e materiais didáticos. “Uma de nossas tentativas nesse processo tem sido a manutenção de um blog da licenciatura em sociologia na UFV, canal onde relatamos o trabalho desenvolvido.
Os universitários são bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes/MEC)."

(Fátima Schenini - Jornal do Professor/ MEC)
Fonte:

27 abril, 2011

SOCIOLOGIA ENSINO MÉDIO - LIVRO MEC

Coleção Explorando o Ensino

O Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Básica (SEB), dá continuidade à distribuição da Coleção Explorando o Ensino. Em 2011, a coleção teve sua abrangência ampliada para toda a educação básica, privilegiando também os professores dos anos iniciais do ensino fundamental com seis volumes – Língua Portuguesa, Literatura, Matemática, Ciências, Geografia e História – além da seqüência ao atendimento a professores do ensino médio, com os volumes de Sociologia, Filosofia e Espanhol. Esses nove volumes estarão chegando às escolas públicas municipais, estaduais, federais e do Distrito Federal e também para as secretarias estaduais e municipais de educação no início do 2° semestre letivo de 2011.

Planejada em 2004, a coleção era direcionada aos professores dos anos finais do ensino fundamental e ensino médio. Entre 2004 a 2006 foram encaminhados oito volumes – Matemática, Química, Biologia, Física e Geografia: O Mar no Espaço Geográfico Brasileiro. Em 2009, foram cinco volumes – Antártica, O Brasil e o Meio Ambiente Antártico, Astronomia, Astronáutica e Mudanças Climáticas.

Essa coleção tem como objetivo apoiar o trabalho dos professores em sala de aula, oferecendo-lhes um material científico-pedagógico que contemple a fundamentação teórica e metodológica e proponha reflexões nas áreas de conhecimento das etapas de ensino da educação básica e, ainda, sugerir novas formas de abordar o conhecimento em sala de aula, contribuindo para a formação continuada e permanente do professor. 

Informações ou esclarecimentos complementares podem ser obtidos na Secretaria de Educação Básica, por meio do endereço eletrônico cogeam@mec.gov.br.



Para Fazer Download do Livro de SOCIOLOGIA:
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12314&Itemid=811


Na Internet - SCRIBD:
http://pt.scribd.com/doc/53989906/Explorando-o-Ensino-modulo-Sociologia

No Crisol-Grupo de Pesquisas e Estudos Culturais:
http://crisol-gpec.com.br/site/linhasdepesquisa/14/208/sociologia-no-ensino-medio.html

27 março, 2011

26 março, 2011

Guia de Livros Didáticos de Sociologia - PNLD 2012

O PNLD - PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO DIDÁTICO lançou o Guia 2012 para o Ensino Médio. 


Apresentação

Caro Professor, Cara Professora

Está em suas mãos o guia do livro didático de Sociologia. A escolha dos livros que a sua escola utilizará a partir de 2012 se dá num momento de obrigatoriedade da Sociologia como componente curricular nos três anos do ensino médio, em 
decorrência da Lei n. 11.684/08 – e, por esse motivo, a disciplina foi incluída 
pela primeira vez no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).


Nesse contexto, o longo processo de avaliação e escolha dos livros adquire uma importância 
especial, que implica muita responsabilidade de todos nele envolvidos.

O livro didático de Sociologia pode atuar em três dimensões na escola pública: didático-pedagógica, social e política.

No plano didático-pedagógico, poderá favorecer os alunos quanto à capacidade de estranhar e desnaturalizar a vida social em que se inserem.

No plano social, o livro didático representa, ao menos para uma parcela significativa de estudantes, a única oportunidade de acesso a um bem cultural.

No plano político, a distribuição gratuita do livro didático pode contribuir para a melhoria da qualidade de ensino da escola pública.

São muitas as implicações do livro didático no processo de ensino e 
aprendizagem, sobretudo no caso da Sociologia, ainda sem tempo suficiente 
para consolidar-se como disciplina escolar. Sabemos que o livro não deve se 
constituir no único material de ensino em sala de aula, mas pode ser uma 
referência capaz de estimular a curiosidade e o interesse para a discussão, a 
análise e a crítica dos conhecimentos sociológicos. Isso significa que é tarefa 
do professor/professora fazer do livro didático um aliado de sua prática 
pedagógica, adequando-o ao projeto político-pedagógico de sua escola, as
suas necessidades, e a de seus alunos.

Neste Guia você conhecerá o processo de avaliação dos livros de Sociologia, até a chegada deles à escola. Encontrará também os critérios considerados na avaliação, 
permitindo que se possam entender os motivos para a aprovação e a exclusão 
dos livros. Ao final, você terá a resenha dos livros aprovados, dando indicações das 
possibilidades, mas também dos limites de uso das publicações em sala de aula.

Sabemos que cabe a você, professor/professora, tornar o livro didático de Sociologia um instrumento de melhoria do ensino.

Bom trabalho! 

19 março, 2011

11 março, 2011

Lincenciado e Bacharel em Ciências Sociais

ESCLARECIMENTOS:
1. Nossa Lei 6.888 de 10/12/1980 (http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=126429), completou 30 anos em dezembro passado. Quando uma lei reconhece uma profissão inexistente, ela tem que resguardar direitos de quem não era formado na área, mas que exercia as funções tipificadas como de “Sociólogo”. No entanto, existiam muitas pessoas que eram apenas licenciados. Desde a década de 1930 existiam dois cursos na área de CS, licenciatura e bacharelado; para os que concluíram até a data da lei a licenciatura em CS, puderam requerer nas Delegacias Regionais do Trabalho o seu registro de “Sociólogo”; depois disso, apenas os bachareis em CS ou em Sociologia;
2. Os sindicatos de sociólogos, possuem nos seus estatutos a condição de que só podem associar-se os portadores do registro profissional na DRT; mas, com o passar dos tempos, fomos flexibilizando e aceitando associados que nos provassem que eram diplomados em CS, no curso de bacharelado, mesmo sem registro na DRT's. Assim, não constam nos registros dos sindicatos sócios que sejam apenas licenciados; e nem poderíam, sob pena de ter impugnada a carta sindical pelo sindicato dos professores; tanto da rede pública, quanto do setor particular de ensino;
Esclarecido isso, acrescenta-se outras coisas. 
Quem é formado e tem dois diplomas, licenciatura e bacharelado em CS, tem na verdade duas profissões, quais sejam, é ao mesmo tempo professor(a) de Sociologia e Sociólogo(a).
Aqui, a rigor, a lei só considera “Sociólogo(a)” quem tem registro profissional; só o diploma de bacharel em CS não garante o exercício (por exemplo, se um dia sair um concurso para sociólogo em qualquer órgão, ele tem que pedir o registro profissional e não o diploma de CS; a DRT substitui o Conselho Regionais e Federal, que ainda não temos; em outras profissões, basta mostrar a carteira de identidade profissional, equivalente a identidade do tipo RG e não precisa mostrar diploma, pois essa etapa o profissional já cumpriu quando registrou 
em seu conselho profissional.

Saudações sociológicas!


Visite o Portal da Federação Nacional dos Sociólogos:
http://www.fns-brasil.org/site/index.asp

29 dezembro, 2010

Sociologia no Ensino Fundamental - Rio de Janeiro

RIO DE JANEIRO


Sociologia no Ensino Fundamental:

Seeduc abriu para discussão até 12 de janeiro as diretrizes curriculares para 2011, para todas as séries.

Vale conferir. Disponível:
http://www.educacao.rj.gov.br/index5.aspx?tipo=secao&idsecao=290

29 junho, 2010

Entrevista com Santo Conterato‏

SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO:


Entrevistas com Márcio da Costa e Santo Conterato. Junho de 2009

Em junho de 2008, o Presidente da República em exercício sancionou a lei que torna obrigatória a inclusão das disciplinas de Sociologia e Filosofia em todas as instituições de Ensino Médio do país. Essa novidade levanta muitos pontos para discussão e análise. Um deles é sobre o impacto dessa lei na demanda por profissionais da área. E sem dúvida alguma o próprio sentido da Sociologia como disciplina precisa ser posto em relevo. A Revista Habitus traz duas entrevistas com diferentes pontos de vista sobre o assunto. Cada entrevistado respondeu a três questões, sendo duas delas comuns a ambos e uma terceira específica para cada um. Falaram conosco Márcio da Costa, professor associado da UFRJ, com experiência na área de educação, ênfase em sociologia da educação, política educacional, teoria sociológica, avaliação de impacto de políticas públicas e avaliação educacional; e Santo Conterato, diretor administrativo da Associação Profissional dos Sociólogos do Estado do Rio de Janeiro e organizador do livro “A profissão do sociólogo e a sociologia no Ensino Médio” (Rio de Janeiro: APSERJ, 2006). As entrevistas foram realizadas por Juliana Marques da Silva e Márcia Regina Castro Barroso, estudantes de graduação em Ciências Sociais na UFRJ.

Revista Habitus: A importância do ensino da sociologia no ensino médio não é um consenso. Seu reconhecimento está, em grande parte, apoiado na concepção de que ele pode auxiliar na formação de valores relacionados à cidadania do modelo democrático liberal no qual estamos inseridos. O que o senhor pensa a respeito?

Márcio da Costa: Minha posição pode ser antipática diante de meus colegas sociólogos. A própria pergunta já permite antever o caráter doutrinário que os defensores da disciplina sociologia no ensino médio pretendem lhe atribuir. A sociologia não é uma disciplina normativa, como os conscientizadores pretendem configura-la. Valores são objeto da sociologia. É claro que, como ciência, filha do iluminismo, ela guarda afinidades com elementos característicos da modernidade, mas está longe de ser um bom recurso para ensinar valores de tal ou qual tipo. Aliás, sou fortemente cético quanto à possibilidade de disciplinarização de valores. Na história da educação, são fartos os exemplos de tentativas de usar disciplinas escolares como veículo de moralização compulsória. A sociologia para valer não se presta ao proselitismo político, ao discurso moralizador, mesmo que travestido de feições supostamente liberais ou afinadas com retóricas pró direitos e liberdades. A ditadura militar, no Brasil, tentou ordenar todo o currículo nacional a partir de um eixo moralizante constituído pelas disciplinas Educação Moral e Cívica , Organização Social e Política do Brasil e Estudo de Problemas Brasileiros, respectivamente no nível fundamental, médio e superior. Foi um fiasco.
Ao final da ditadura, autores de esquerda, imbuídos da rationale gramsciana, resolveram “aproveitar as brechas” – para preservar a retórica dessa corrente – e cometeram aberrações como, por exemplo, livros de OSPB. Boa parte de nossos livros didáticos de história ou geografia são manuais doutrinários que, ao se pretenderem “contra-hegemônicos”, são apenas a outra face dos manuais da ditadura, esses eivados do ultra-nacionalismo do Brasil Grande, Brasil Potência. É como se substituíssemos as decorebas de datas, fatos, heróis, devidamente filtrados pelos guardiões conservadores da verdade oficial, por tratamentos autodenominados críticos, mas que, no fundo, eram igualmente doutrinários, recheados de denúncias, sem apreço pelo teste das evidências, pouco afeitos ao verdadeiro debate, à apresentação de versões diversas, a aquilo que parece mais próximo da possível versão escolar de uma formação de base científica.
Temo que a defesa da sociologia como disciplina escolar seja apenas sucedânea desse afã conscientizador, nefasto e ineficaz. Nefasto porque empobrece a já tão precária formação de nosso alunado. Ineficaz porque se baseia em esperança naquilo que chamamos de “socialização perfeita”. O sonho dürkheimiano para a educação, que supõe alunos passivamente absorvendo conteúdos e valores transmitidos por seus mestres. Felizmente, parece que isso não funciona muito bem.
No fim das contas, a sociologia será apenas mais uma, entre as 12 ou 13 disciplinas, todas com conteúdos ultra-especializados, apreendidos e ministrados com incrível precariedade pelo sistema escolar submetido à expectativa de apreensão de uma overdose de conhecimentos de qualidade e utilidade, no mínimo duvidosos. As fantásticas “batatas” extraídas das redações de vestibulares ou de coletâneas de provas de professores, são uma das demonstrações dessa sopa de entulho mal digerida.
Penso a introdução da sociologia como disciplina obrigatória como resultante, esquematicamente, de três vetores: 1) a ignorância sobre o que é a sociologia e conseqüente esperança de que ela cumpra papel “civilizatório”, uma espécie de manual de boas maneiras cívicas; 2) a aparentemente libertária vertente gramsciana, que pretende fazer da sociologia mais um espaço institucional de propaganda e proselitismo político e; 3) a busca de criação de uma reserva de mercado para licenciados em ciências sociais, um curso superior relativamente fácil de entrar, igualmente fácil de sair, mas com forte imprecisão quanto aos destinos profissionais de seus egressos.

Santo Conterato: No meu entendimento, e com base na experiência do trabalho pela inclusão da Sociologia nos parâmetros curriculares do ensino médio, o questionamento com relação à presença da disciplina na grade curricular não se referia propriamente à importância do ensino da Sociologia e sim, em primeiro lugar, a mais uma disciplina na grade. A programação das secretarias prontinha, com as disciplinas tradicionais arrumadinhas, com seu espaço definido, não comportava, na comodidade dos burocratas, mais uma disciplina que implicava na modificação do esquema já montado. Em segundo lugar, a reação de donos de estabelecimentos privados de ensino que afirmam que, com mais uma disciplina, há necessidade de mais docentes, onerando seus cofres, E, finalmente, a inércia dos acadêmicos lotados nos departamentos das IFES preocupados com as bolsas fornecidas pelo MEC, entendiam que a introdução da sociologia no ensino médio não lhes traria ganho nenhum.
O reconhecimento, com certeza, tem a ver com a força das argumentações sobre a importância da sociologia, não tanto como simples auxiliar na formação de valores cívicos, mas, e principalmente, que podia oferecer ao estudante novos modos de pensar ou construção e desconstrução de modos de pensar. Ou seja, a proposta do pensamento sociológico é o de realizar a desnaturalização das concepções ou explicações dos fenômenos sociais. E, assim, contribuir para um ensino de melhor qualidade.

Revista Habitus: O conteúdo da disciplina não será mais ministrado de uma forma transversal. Precisará, portanto, de um formato específico. Quais os desafios do curso de licenciatura, na sala de aula e dentro da Universidade, na sua relação com o bacharelado?

Márcio da Costa: Não será fácil ensinar sociologia de verdade, uma invenção do final do século XIX, que pressupõe uma longa trajetória intelectual percorrida pela humanidade, que incorpora complexos debates herdados da filosofia e da economia e que ao tentar compreender a novidade do mundo moderno apresenta vertentes cujas características não são de apreensão trivial. Preferiria que nossos alunos estivessem expostos a mais história, filosofia e literatura. Conhecer mais as seqüências dos acontecimentos relevantes do passado, traços de culturas e civilizações diversas, a história do pensamento, ajudaria na compreensão das reflexões que a sociologia desenvolve a partir do século XIX.
Como já disse, temo que a sociologia como disciplina escolar seja um pastiche doutrinário, pretensamente revolucionário, e/ou algo que não consegue fazer sentido pois os estudantes não dispõem de um ferramental básico anterior. Abordar a sociologia com recortes temáticos como fato social, contato social, interação, classes sociais, estratificação social, movimentos sociais, instituições, cultura, globalização, pós-modernidade, minorias, nacionalismo, localismo, mudanças tecnológicas, desenvolvimento ou democracia me parece uma tentação a tratamentos normativos. Partidas entre fenômenos sociais a que se dedicam, as teorias sociológicas tendem a ficar irreconhecíveis. Por outro lado, a apresentação das teorias sociológicas clássicas de forma mais íntegra, abrindo terreno para suas descendentes contemporâneas, provavelmente é algo distante das possibilidades no nível médio, maçante e complicado, especialmente considerando a overdose de conteúdos a que os alunos já são submetidos.
Felizmente, não me dedico a tratar profissionalmente do ensino de sociologia nesse nível, pois não consigo enxergar qualquer saída realmente boa. Sem maior reflexão sobre o tema, acho que optaria por fazer alguma coisa como uma história do pensamento social no século XIX, contextualizando as polêmicas e preocupações da época, abrindo margem para a apresentação esquemática das matrizes fundantes do pensamento sociológico, trazendo a atualização para o desenvolvimento dos problemas contemporâneos, a partir dos modelos clássicos e suas derivações. Não creio que seria possível faze-lo satisfatoriamente no tempo previsto. A redundância com a história e a filosofia me parece inevitável.

Santo Conterato: Entendo que há três questões aqui: a relação licenciatura/bacharelado, a licenciatura na Universidade e a relação licenciatura/sala de aula enfrentada pelo licenciado. Nós sempre defendemos que o estudante que cursa a licenciatura deve ter a fundamentação fornecida pelo bacharelado. Do contrário, continuará acontecendo o que imperou na pedagogia tradicional do ensino em nossas escolas em que se deu a predominância ao método em detrimento do conteúdo. E assim, qualquer professor pode lecionar qualquer disciplina, com está acontecendo ainda hoje, em algumas escolas, com o ensino da sociologia, por exemplo. É imperioso que o licenciado, antes de aprender as técnicas, os métodos, saiba manejar os conteúdos da disciplina. É o óbvio ululante, como diria Nelson Rodrigues. Ou seja, antes de saber como ensinar o profissional deve saber o que ensinar.
A licenciatura na Universidade está enfrentando um desafio cada vez mais difícil de vencer. Quem procura a licenciatura? Quem ministra os conteúdos do ementário da licenciatura? E como são ministrados esses conteúdos: métodos e técnicas de ensino? Todos os que procuram a licenciatura, a procuram baseados num projeto de futuro profissional, ou por falta de perspectiva de alternativas futuras de trabalho? Os mestres encarregados de orientar os licenciandos o fazem programadamente ou para mero cumprimento de obrigação? E as orientações são baseadas a partir do real que o profissional encontrará ou dentro de um esquema tradicional acadêmico distanciado da realidade da escola de ensino básico? No meu modo de pensar esses desafios são cruciais, em especial para os mestres orientadores.
A relação licenciatura/sala de aula enfrentada pelo licenciado (questão que deve estar presente aos orientadores das licenciaturas), no meu entendimento, é dramática: a alunada já vem para a escola com problemas familiares, problemas pessoais de adolescente, encontra as salas de aula mal arrumadas, a própria escola quase caindo por falta de conservação. O professor de sociologia (sempre mal pago) tenta preparar uma aula partindo de textos mais complexos para os mais simples. Será que a transposição para uma linguagem acessível não corre o perigo de perder o rigor científico? E a cabeça cheia de problemas da garotada tem condições de assimilar conteúdos sociológicos que exigem um mínimo de raciocínio lógico? Todas estas questões devem ser consideradas quando pensamos na possibilidade da eficácia do ensino da Sociologia na escola fundamental e no preparo dos futuros mestres.

Revista Habitus: Márcio da Costa, o senhor se posiciona contra a inclusão da Sociologia no Ensino Médio. Quais os aspectos negativos dessa política?

Márcio da Costa: Há, em primeiro lugar, um elemento raramente tratado nessa polêmica: a forma nada adequada com que a sociologia entra nos currículos. Não é razoável remeter ao Congresso Nacional a decisão sobre currículos escolares. Há fóruns bem mais adequados para tratamento dessa questão. Creio que um dos aspectos negativos dessa política é o próprio acolhimento da demanda pelo Congresso, alargando o caminho para que questões dessa ordem passem a se tornar temas de decisão legislativa.
Por outro lado, tomada a partir da ótica particularista de interesses corporativos e de intenções políticas apartadas dos mais graves problemas educacionais, essa decisão agrava o caráter enciclopédico dos currículos no Brasil. Vai na contramão do que deveríamos estar fazendo em nosso ensino básico: reduzindo a grande carga de conteúdos que é comportada por uma pequeníssima parcela do alunado, concentrando o foco no domínio efetivo de conhecimentos de valor realmente abrangente e duradouro. O conteúdo absurdamente detalhado e formalista das ciências naturais, da língua portuguesa e das matemáticas, ganha a “contribuição” das ciências humanas que pareciam mais favoráveis a uma educação mais compreensiva.
Randall Collins descreveu preciosamente a inflação educacional. Podemos fazer um paralelo com a inflação de conteúdos escolares. Qual será o próximo passo ou a próxima corporação que tentará impor sua reserva de mercado ao sistema educacional? Psicólogos? Astrônomos? Biofísicos? Geólogos? Juristas? Economistas? Profissionais universitários do Brasil uni-vos? Há boas chances de espetar algumas horinhas nas escolas. Por quê não?

Revista Habitus: Senhor Santo Conterato, os sindicatos dos sociólogos foram atores políticos fundamentais para o reconhecimento da relevância do tema na agenda política governamental ou não? De quem partiu essa demanda?

Santo Conterato: Na reta decisiva para a decretação da obrigatoriedade da Sociologia em todas as escolas de ensino médio do país os sindicatos dos sociólogos, sem dúvida, foram os atores fundamentais. No entanto, não teríamos chegado a essa etapa da luta sem a participação, na origem do movimento, de grupos organizados da sociedade, de departamentos universitários, dos estudantes de ciências sociais e do ensino médio. Inúmeros movimentos locais em várias regiões do país foram o gérmen que deu seiva à luta pela inclusão da sociologia no ensino médio nacional. A título de ilustração, sirva-nos de exemplo o movimento aqui em nosso estado. Entre outros, um abaixo-assinado encaminhado à “Coordenadora Setorial da Coordenação de Ensino do 2º Grau” de Nova Friburgo, em 1º de outubro de 1985: “Encaminhamos pedido formulado por Sociólogos e Professores do 2º Grau dos Municípios ligados ao CRE de Nova Friburgo, solicitando a inclusão da SOCIOLOGIA no currículo do 2º Grau”. Atenção à data. E, em 1989, a APSERJ conseguiu recolher mais de 3.000 (três mil) assinaturas em documento enviado à Assembléia Constituinte do Estado do Rio de Janeiro solicitando a inclusão da sociologia em todas as escolas do ensino médio. E o Conselho Estadual de Educação, junto com a Secretaria Estadual de Educação realizaram dois encontros, em 1989, para estudar a possibilidade de inclusão da sociologia na grade curricular. Além da APSERJ, participaram mais quinze grupos, entre universidades, sindicatos de professores e associações de estudantes secundários. Tudo isso está relatado no livro, publicado pela APSERJ, “A Profissão de Sociólogo e Sociologia no Ensino Médio”. Assim, desde 1989, a sociologia consta como disciplina obrigatória nas escolas do Rio de Janeiro.
Movimentos similares aconteceram em vários estados que deram substrato e força para que os sindicatos dos sociólogos conseguissem, junto ao Conselho Nacional de Educação, a decretação da obrigatoriedade da disciplina em todas as escolas de ensino médio do país.

A Revista Habitus agradece aos entrevistados Márcio da Costa e Santo Conterato.

07 junho, 2010

GT Em Defesa do Ensino de Sociologia

UFF. GT Em Defesa do Ensino de Sociologia
09 de junho de 2010. 18:00
DARS de Ciências Sociais Térreo Bloco N
Por conta de vários fatores colocados pelos colegas, temos deficiências em nossa formação acadêmica, e não só temos e admitimos a deficiência que temos em nosso processo de formação, como a reproduzimos no Ensino Médio enquanto professores:
- Uma pretensa e ingênua neutralidade
- Um afastamento e certo menosprezo pelos alunos
- O afastamento entre teoria e prática
O grupo começou a se reunir preocupado com a confusão que se instaura nas propostas e práticas curriculares para o ensino de Sociologia para o Ensino Médio, e equívocos que têm como causa o já longo processo de intermitência da disciplina na Educação Básica, além das questões que permeiam o Ensino Superior, essenciais para a formação dos professores neste caso. Já existe um acúmulo de conhecimento sobre isso, ainda que escasso. O grupo para dar andamento à construção do currículo e de materiais didáticos precisa se colocar comum acordo com as seguintes premissas:
ü Sociologia, entre os saberes que existem é uma ciência. Portanto não é senso comum, não é religião, não é filosofia (apesar de utilizá-la).
ü Sociologia com relação às outras disciplinas não é literatura, não é história, não é geografia, e, como já citado, não é filosofia.
ü O currículo do Ensino Médio não deve se deter a uma miscelânea teórica, temática ou conceitual e sim fazer sentido e ter uma lógica com o que consideramos que é realmente necessário no contexto que vivemos e neste nível de ensino, em contraste com o ensino superior.
ü O professor deve trabalhar de acordo com uma sólida fundamentação teórica, pois terá facilidade em construir o currículo, dando lógica para o mesmo e inclusive mais segurança para trabalhar com outros pontos de vista, quando necessário.
CONVIDAMOS. GT EM DEFESA DO ENSINO DE SOCIOLOGIA.

18 maio, 2010

GT EM DEFESA DO ENSINO DE SOCIOLOGIA‏

UFF. GT Em Defesa do Ensino de Sociologia
26 de maio de 2010. 8º reunião. 18:00

DARS de Ciências Sociais Térreo Bloco N

O GT está tentando definir como seriam as primeiras aulas de Sociologia no Ensino Médio, ou, no caso, o 1º bimestre. Como apresentar a “nova” disciplina, não somente para os alunos, mas também para a comunidade escolar em geral, professores e demais funcionários, também fazem parte de nossas preocupações, pois as idéias que se produzem daquilo que deve ser Sociologia e, na mesma maré, a Filosofia, são idéias geralmente românticas ou preconceituosas. É percebido que realmente o retorno da Sociologia é algo novo para a comunidade escolar em geral, e, portanto temos que estar seguros e sermos taxativos com relação ao conteúdo e objetivo de nossa disciplina, para não darmos margem a comentários desqualificadores. Não temos somente o “senso comum” dos alunos para enfrentar, mas também o de professores e funcionários.
Nossas reuniões, a partir de agora serão espaçadas de 15 em 15 dias, por conta do volume de trabalho que temos no nosso dia a dia e no acúmulo de conhecimento para o GT. Então, convidamos a todos que venham nos ajudar ou acrescentar contribuições, mesmo através de dúvidas, a comparecer no dia 26 de maio, quarta feira, as 18:00 no DA de Ciências Sociais, localizado no Térreo do Bloco N da Universidade Federal Fluminense.
Sejam Bem Vindos GT Em Defesa do Ensino de Sociologia!

07 maio, 2010

Em Defesa do Ensino de Sociologia: SOCIOLOGIA NÃO É IDEOLOGIA!!!

UFF. GT Em Defesa do Ensino de Sociologia
12 de maio de 2010. 7º reunião. 18:00

DARS de Ciências Sociais Térreo Bloco N

Infelizmente, alguns colegas ainda não exercitam plenamente a atividade como professores de Sociologia em suas respectivas escolas, pois muitas mantêm a disciplina, junto com a Filosofia, como algo de menor valor. Alguns colegas recebem ordem da direção e do conselho de classe para que não reprove nenhum aluno, tendo um poder secundário na escola e no conselho de classe.
Por isso reforçamos o nome do GT Em Defesa do Ensino de Sociologia, o qual acredita que o recuo de alguns intelectuais com relação ao currículo da Secretaria de Estado de Educação, e outros posicionamentos pseudo neutros, acabam legitimando a desqualificação do conhecimento de Sociologia como algo menor em várias escolas.
O currículo da Secretaria vem sendo acusado de ideológico. “Compreender que a dominação européia expressa pelo colonialismo e pelo imperialismo é a causa fundamental das desigualdades sociais.” Porque a compreensão deste processo pelos alunos é algo ideológico??? Isto é um fato objetivo. Porque o receio em ensinar o que de fato aconteceu, devemos negar a história em nome de quê. Qual seria a causa fundamental não ideológica das desigualdades sociais???
A desigualdade social não tem uma causa objetiva? Depende do olhar de cada um? E por isso não seria possível o alcance de uma causa objetiva? Isto sim é ideologia, cada um possui uma idéia diferente sobre as causas fundamentais das desigualdades sociais. Algumas dessas idéias correspondem à realidade e outras não, e estas têm que ser eliminadas do currículo, pois a SOCIOLOGIA não se coloca como obrigatória para trazer confusão à cabeça do aluno de Ensino Médio e sim dar sentido às relações sociais objetivas que se estabeleceram no espaço geográfico e no tempo histórico.

SOCIOLOGIA NÃO É IDEOLOGIA!!!

O grupo vem tentando construir, não no plano ideológico, e sim objetivo, qual seria a lógica da organização dos conteúdos, por exemplo, o que viria primeiro, quais seriam as propostas iniciais para introdução ao estudo da Sociologia no Ensino Médio.
Convidamos a todos para que possamos dar prosseguimento a Defesa do Ensino de Sociologia nos espaços de trabalho e de estudo, pois sabemos da precariedade das licenciaturas em Ciências Sociais (ou Sociologia), por conta do processo histórico, e portanto objetivo que vivemos, tentamos restabelecer aquilo que foi freado pela Ditadura Militar.
Sejam bem vindos, GT Em Defesa do Ensino de Sociologia!

Informes: O endereço do SINDSERJ é Rua Teófilo Otoni, nº 52, 8 andar, Centro, Rio de Janeiro, RJ - CEP: 20090-070


Grupo "Sindicato dos Sociólogos do Estado do Rio de Janeiro" em Grupos do Google. sindserj@googlegroups.com
Para ver mais opções, visite este grupo em
http://groups.google.com/group/sindserj?hl=pt-BR

07 abril, 2010

SBS - SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO NO RIO DE JANEIRO

XV CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA - 2011


Aberto o período para inscrições de GTs (Grupos de Trabalho) no XV Congresso Brasileiro de Sociologia, a ser realizado entre os dias 26 e 29 de julho de 2011, na UFPR, Curitiba-PR.
O prazo para envio termina no dia 17/06/2010. Não deixe para a última hora. Acesse o site da SBS (http://www.sbsociologia.com.br/) para maiores informações e envie sua colaboração. Importante: o envio é restrito aos associados em dia com suas anuidades.

NOTA DA SBS

A edição da lei nº 11.684, de 2008 que altera e Lei de Diretrizes e Bases da Educação e estabelece a obrigatoriedade da Sociologia nos três anos do ensino médio em todas as escolas brasileiras trouxe para os Sociólogos, tanto para aqueles que atuam nas universidades como para os professores da educação básica, a necessidade de tomar para si a discussão sobre os fundamentos, os conteúdos, assim como as metodologias adequadas ao ensino de Sociologia para os jovens e adultos que estudam no ensino médio.
Mesmo num contexto anterior, quando a Sociologia se fazia presente como componente curricular somente em alguns estados brasileiros e apenas em uma série do ensino médio, a Sociedade Brasileira de Sociologia criou em seu Congresso de 2005 a Comissão de Ensino Médio. Desde então, esta Comissão passou a centralizar as iniciativas dos estados, realizando encontros e congressos com o propósito de contribuir para práticas do ensino de Sociologia, tendo em vista a preocupação com sua qualidade. Nessa direção, hoje podemos afirmar que temos acumulado conhecimento sobre a temática, autorizando-nos a apoiar a elaboração de propostas curriculares em vários estados brasileiros.
Por esta razão, vimos manifestar nossa preocupação com a proposta curricular de Sociologia apresentada pela Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, na medida em que esta sugere certos conteúdos temáticos que consideramos irrelevantes para o ensino de Sociologia no ensino médio, apresenta como conceitos certos termos não identificados no arcabouço teórico e conceitual advindo das Ciências Sociais e se fundamenta em uma concepção prescritiva ou normativa do ensino de Sociologia.
Sabemos que o professor não opera mecanicamente com as propostas curriculares em seu dia a dia na escola, ao contrário, de alguma maneira ele traduz ou seleciona os conteúdos, tendo em vista a sua própria experiência. Ainda assim, não poderíamos deixar de nos pronunciar, sob pena de ignorar todo um movimento repleto de experiências práticas e teóricas que temos registrado em nossos encontros.
Pelo exposto e ciente de nossas responsabilidades, reiteramos o apoio da SBS à criação de fóruns estaduais e nacional que possam estimular a reflexão e o debate entre professores e pesquisadores envolvidos com o ensino de Sociologia.

Anita Handfas

Coordenadora da Comissão de Ensino Médio da Sociedade Brasileira de Sociologia

Celi Scalon

Presidente da Sociedade Brasileira de Sociologia

CHAMADA DE TRABALHOS

13º CONGRESSO BIEN 2010
O 13° Congresso da BIEN (sigla em inglês para Rede Mundial de Renda Básica) recebe até o dia 12 de abril propostas de trabalho e painéis. Envie sua proposta por meio do site oficial do evento, http://www.bien2010brasil.com/.  É a primeira vez que o Congresso da BIEN ocorre na América Latina. O evento acontece de 30 de junho a 2 de julho de 2010 na Faculdade de Economia e Administração da USP.

Equipe SBS http://www.sbsociologia.com.br/
Sociedade Brasileira de Sociologia

06 abril, 2010

Simon Schwartzman critica o currículo de sociologia do estado do Rio de Janeiro‏

O Currículo de Sociologia do Estado do Rio de Janeiro

Acabo de ver a lamentavel proposta curricular para o programa de sociologia para o nível médio do Rio de Janeiro. É um conjunto desastroso de idéias gerais, palavras de ordem e ideologias mal disfarçadas que confirmam as piores apreensões dos que, como eu, sempre temeram esta inclusão obrigatória da sociologia no curriculo escolar.
É difícil saber por onde começar a crítica. Faltam coisas essenciais como familia e parentesco, educação, socialização, estratificação social, mobilidade, criminalidade, religião, burocracias, modernidade, opinião pública, instituições. Na parte de “sociedade democrática”, nao há nada sobre instituições políticas, sistemas políticos comparados, participação politica, sistemas eleitorais, partidos políticos, populismo, fascismo. Não há nada mais conceitual sobre teoria sociológica, suas correntes, etc. Nao há sequer algo sobre direitos civis, sociais e humanos.
Por outro lado, sobram bobagens como “compreender e valorizar as diferentes manifestações culturais de etnias, raças (negra, indígena, branca) e segmentos sociais, agindo de modo a preservar o direito à diversidade, enquanto princípio estético (sic) que pode incentivar a tolerância, mas que em alguns casos pode gerar conflitos”, ou “compreender que a dominação européia expressa pelo colonialismo e pelo imperialismo é a causa fundamental das desigualdades sociais” ou ainda “construir a identidade social e política atuante e dinâmica para a constante luta pelo exercício da cidadania plena”, e trivialidades como “perceber a importância do trabalho para a sociedade”. Quem quiser ver o texto completo da proposta pode baixá-la da Internet aqui: http://www.schwartzman.org.br/simon/see_soc.pdf   
A sociologia, quando bem dada, mostra para as pessoas que existem muitas maneiras diferentes de entender o mundo. Este programa visa o contrário, ou seja, inculcar nos jovens uma visão de mundo particular e empobrecida.
Temo que os programas que estão sendo feitos para outros estados poderão parecidos, ou piores. Penso que a Sociedade Brasileira de Sociologia, ou os sociólogos mais ativos que a compõem, deveriam tomar uma posição pública sobre isto, inclusive sugerindo um programa minimo mais razoável. Não seria difícil, existem muitos bons exemplos na internet, inclusive o sumário da Wikipedia em português, que podem servir de referência: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia  

Simon Schwartzman. Acesse aqui a página de Schwartzman: