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13 setembro, 2014

CIÊNCIA SOCIAL PARA O SÉCULO XXI

O 4º SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR EM SOCIOLOGIA E DIREITO.

14 e 15 de Outubro de 2014, em Niterói- RJ, na Faculdade de Direito da UFF.

Submissão de trabalhos: prorrogado até 14.09.2014

GT 5: CIÊNCIA SOCIAL PARA O SÉCULO XXI: os cursos de licenciatura em Ciências Sociais na atualidade.
Coordenação: Prof. Dr. Alexandre Fernandes Corrêa (UFRJ Macaé) e mestranda Renata Feno Neves (PPGSD/UFF)

Ementa: A proposta deste GT circunscreve-se ao debate atual acerca das metamorfoses no mundo do saber e das consequências epistemológicas dessas transformações, especialmente no que se refere aos seus impactos sobre a lógica da transmissão do legado da cultura sociológica para as novas gerações. Wallerstein (2002) tem nos apresentado as principais características da formação histórica do sistema-mundo, indicando aspectos da aceleração do processo de globalização tecnológica e econômica, assim como da chamada mundialização. Esta última nos interessa mais especialmente ao tratarmos das transformações atuais do sistema educacional. Sem dúvida que os impactos dessas transformações recentes, advindas e consolidadas desde a década de 1990 do século XX, têm consequências importantes para as estruturas do saber estabelecidas. Nesse sentido consideramos a sugestiva provocação do autor estadunidense ao intitular sua reflexão sob o manto enigmático: O Fim do Mundo como o Concebemos. Constatamos que nesse contexto os cânones clássicos do conhecimento e da ciência têm sido abalados por constantes sismos epistemológicos. Os impactos desse processo global/mundial ainda não produziram todos os seus efeitos potenciais. Nosso convite é para um debate em que se pretende detectar aspectos dessas transformações no espaço sócio-educacional das licenciaturas em Ciências Sociais, respondendo algumas dessas questões: a) Como os currículos de graduação dão conta das novas exigências da contemporaneidade? b) Quais as possibilidades de inovação e conservação das matrizes teóricas e disciplinares canônicas? c) As licenciaturas devem replicar o currículo do bacharelado incluindo apenas as disciplinas pedagógicas? d) É possível criar uma nova forma de transmissão da cultura sociológica específica e peculiar ao ensino? e) De que modo a promoção da cultura sociológica contribui para a recuperação das Humanidades num contexto de predomínio da tecno-ciência?

12 setembro, 2014

Lição Certa

SOCIÓLOGOS AVALIAM PAPEL DAS CIÊNCIAS HUMANAS NO CURRÍCULO ESCOLAR

Em resposta ao editorial “Lição errada”, que diz repeito ao aumento da carga horária de filosofia, sociologia e artes no currículo do ensino médio no Estado de São Paulo, a Federação Nacional dos Sociólogos (FNS) tem esclarecimentos a fazer.
O editorial ataca, de forma gratuita e preconceituosa, a sociologia e outras ciências humanas. Do ponto de vista objetivo, baseado em que pressupostos o texto afirma que incluir (conforme determinado por lei) ou aumentar as cargas horárias de sociologia, filosofia ou artes sejam “experimentalismos duvidosos”, e “matemática e português” sejam disciplinas “estruturantes”?
Para efeitos de uma formação que privilegie a construção da cidadania e a despeito da atual formação instrumental, utilitarista e individualista que visa apenas o mercado e o sucesso individual, acreditamos que sociologia, filosofia ou artes devem ter primazia ou importância equivalente.
Historicamente, a educação nunca foi prioridade no Brasil. De um modo geral, o modelo educacional brasileiro que conhecemos hoje é remanescente do imposto nos anos 1960 pela ditadura militar, em que as ciências humanas gradativamente foram perdendo espaço na grade curricular do sistema educacional em nível de educação básica e média, tanto no ensino público quanto no privado.
Mais recentemente –década de 1990–, as ciências humanas passaram por outras medidas de caráter restritivo, impostas pelo modelo americano. Influenciados pelas ideais de uma educação meramente utilitária e tecnicista, os currículos foram adaptados para assegurar uma formação que privilegiasse as disciplinas instrumentais, em detrimento de conteúdos voltados para uma formação cidadã e humanista, incompatíveis, antes, com o regime autoritário e, agora, com o neoliberal.
No campo da educação, prevalece o discurso que privilegia o ensino e a pesquisa inter ou transdisciplinar. Do ponto de vista epistemológico, o sujeito pós-moderno opõe-se aos grandes modelos teóricos.
A atuação política pós-moderna desqualifica e dissimula a ação política tradicional (Estado, partidos políticos, sindicatos, movimentos populares etc.), preferindo atuar por meio de ações voluntárias de ONGs, bem como, nos atos mais ou menos espontâneos de grupos e/ou de sujeitos políticos protagonistas ou representantes de demandas sociais específicas ou de grupos excluídos.
Caracteriza-se por uma tendência aberta ao individualismo e ao utilitarismo escamoteados por uma espécie de hedonismo socializado pela mídia. Esvazia os conteúdos ideológicos intrínsecos ao campo político e reduz o papel do Estado a mero financiador ou prestador de serviços públicos. Nesse contexto é que se inserem as interpretações sobre os fatos históricos e os acontecimentos políticos ou sociais na atualidade.
A criminalização de setores do movimento social, de um lado, e as recentes –e, por que não dizer, históricas– respostas violentas às reivindicações sociais e populares mostram que as alternativas autoritárias ainda resistem e seduzem setores insatisfeitos com as respostas oferecidas pela política tradicional e os relativismos estabelecidos pela pós-modernidade.
Não é sem motivo que nos lugares tradicionais de conflito e competição –trabalho, política, moral, sexualidade, cultura–, em que inexistem limites definidos ou claros, é que encontramos a crise instalada nessas sociedades.
As diversas crises –econômica, étnica, político-ideológica, entre outras– que encerraram o século 20 e inauguram o 21 demonstram de modo incontestável o esgotamento dos modelos liberais ocidentais, a despeito dos sofismas neoliberais reacionários.
É nessse contexto que o aumento da carga horária de filosofia, sociologia e artes no Estado de São Paulo se insere e reflete a urgência de se pensar uma sociedade mais humana e cidadã onde os jovens, integrantes do ensino médio, serão os protagonistas desse novo modelo.


Ricardo Antunes de Abreu é presidente da Federação Nacional dos Sociólogos (FNS) e Mario Miranda Antonio Junior é sociólogo e consultor da FNS

09 maio, 2014

O Alfabetismo Sociológico

A Revista Tempo da Ciência, da UNIOESTE, publicou um artigo sobre o Ensino de Sociologia. 
Trata-se de:

"O Alfabetismo Sociológico - uma contribuição para o debate sobre o ensino de sociologia":

http://e-revista.unioeste.br/index.php/tempodaciencia/article/view/9950/7220

26 setembro, 2013

Ciências Sociais: Terra de Ninguém!

Com esse título dramático podemos causar muitas sensações, mas os leitores verão que realmente é adequado ao assunto que vamos tratar.
Nosso tema: Concurso Público Federal para ingresso na Carreira Docente. Mais especificamente, concurso para ingresso em Departamentos de Sociologia, de Antropologia ou de Ciência Política.
O que temos assistido ultimamente, nesse domínio, causa espécie de repugnância de efeitos biliares.
Recentemente testemunhamos uma discussão entre colegas de um departamento "acadêmico" lotados em uma unidade da federação, que através de e.mails abertos tratavam da confecção do Edital Público, sobre o qual decidiriam, em assembleia pública, os critérios para inscrição de candidatos.
Pois bem, em uma semana, em debates nessa lista de correio eletrônico assistimos, os tais colegas, defenderem quase que unanimemente que o tal Edital deveria ser aberto à inscrição de candidatos formados em qualquer área afim das Ciências Humanas e Sociais: graduação, mestrado e doutorado.
Muitos dos colegas chegaram a lembrar suas graduações em cursos os mais diferentes: teologia, filosofia, medicina, psicologia, serviço social, história, pedagogia, etc.
Perguntamos: Um profissional desse que se forma em cursos tão diferentes, como poderá exercer com competência a docência em Curso de Graduação de Sociologia, Antropologia, Política ou Ciências Sociais? Francamente, terá alguma eficácia pedagógica ou profissional?
Meus caros, será que defender que os docentes de uma instituição de ensino federal sejam formados nos cursos em que lecionam, é defender uma posição "corporativista"?
Amigos leitores desse blog, vejam a situação dos Cursos de Ciências Sociais nessas Instituições de Ensino Superior nas quais aceitam uma situação dessas: todos são de qualidade sofrível! São cursos em que reina uma verdadeira mixórdia de disciplinas desconexas, fragmentadas, tontas e tolas. E mais: O índice de evasão de estudantes nesses cursos chega à mais de 80%!
Qual a explicação disso? É o resultado dessa permissividade total de aventureiros "intelectuais" do suposto saber de tudo, que lecionam nesses cursos. Eis uma autêntica "Terra de Ninguém", em que não se sabe para onde correr. Triste sina de estudantes iludidos por apresentações curriculares edulcoradas e carregadas de promessas vãs: prometem oferecer e ensinar o "pensamento crítico". Mas o que recebem são fragmentos desconexos, embaralhados, entre os quais se sentem perdidos e à deriva!
Estudantes secundaristas, atenção! Cuidado com esses Cursos de Ciências Sociais nos quais se permitem lecionar professores formados em qualquer graduação!
Há mais de 30 anos atrás ainda se podia entender que pudessem abrir os concursos dessa forma - quando até os intelectuais e teóricos consagrados nas Ciências Sociais provinham de formações diversas - mas continuar com essa postura até hoje, depois de já possuirmos cursos de Ciências Sociais há mais de 30 anos, é o cúmulo da irresponsabilidade.
Sempre lembramos aqui de Maurício Tragtemberg: não será isso também mais uma demonstração da virulência da "delinquência acadêmica" recalcitrante?

10 novembro, 2011

VII Seminário de Licenciatura 2011


* * *

Reflexão para Debate:


QUEM AINDA QUER SER PROFESSOR?

Há fortes evidências, nos dias atuais, de que a profissão docente vive uma crise sem precedentes na história do nosso ensino. A despeito da grande diversidade de condições da oferta e demanda por escolarização, tanto no que se refere à condição docente quanto à condição discente, produto da diferenciação sociocultural e das desigualdades socioeconômicas, essa crise atravessa a estrutura da escola de alto a baixo.
Ela combina ingredientes de natureza muito diversa, mas o elemento-chave da sua explicação é o baixo valor do diploma de professor, sobretudo na educação básica, tanto no mercado de bens econômicos (salário) quanto no mercado de bens simbólicos (prestígio). Esse baixo valor do diploma expressa um terrível paradoxo: quanto mais expandimos a oferta do ensino, maior se revela nossa dificuldade de formar professores para atendê-la. 
Estamos pagando o preço caro de uma conquista. Desde o século 18, na Europa, e pelo menos desde o final do século 19, no Brasil, reivindica-se educação como direito do cidadão e dever do Estado. Pois bem, todos - ou quase todos - vieram para a escola. Vieram os camponeses, os das periferias urbanas, os indígenas, os deficientes físicos e, inclusive, os que não querem saber de escola. Vieram por direito, resultado de lutas históricas pela sua inclusão nos sistemas de ensino. Mas, como não há milagres em matéria de educação e ensino, isso também exigiria formar em quantidade e qualidade os professores que dariam conta dessa tarefa em condições que obedecessem a patamares mínimos de decência. 
O Brasil universalizou recentemente o ensino fundamental e trabalha arduamente para universalizar, até 2016, a educação infantil e o ensino médio, cujo atendimento está na casa de míseros 50%. Não bastasse a escassez de professores para a demanda atual, que o MEC já contabiliza na casa dos 250 mil, sobretudo para o ensino das ciências, universalizar a educação básica implica a necessidade de formar mais e bem os professores para realizar a tarefa. Essa legítima proposta do Plano Nacional de Educação esbarra, contudo, em problemas cuja gravidade nos deixa poucas expectativas para sua realização. 
Um desses problemas é a baixa atratividade da carreira docente, com recrutamento dos estudantes dos cursos de licenciatura justamente entre aqueles de escolarização básica mais precária. Indicador preocupante dessa baixa atratividade está expresso na relação candidato/vaga dos últimos 13 vestibulares da UFMG (2000-2012), o que parece estar longe de ser uma situação exclusiva desta Universidade. Em 2000, dos 17 cursos mais concorridos, seis formavam professores. Para o vestibular 2012, não há um único curso de licenciatura entre os 15 mais concorridos. 
Mantida a atual tendência, em três ou cinco anos não teremos candidatos aos cursos de licenciatura. Cursos como Ciências Biológicas, Educação Física, Geografia, História, Letras, Matemática e Pedagogia, que eram disputados numa correlação de 12 a 30 candidatos por vaga, há dez anos, para 2012 contarão, respectivamente, com 3,5; 2,1; 1,6; 4,8; 1,4; 2,9 e 3,0 candidatos para cada vaga. Mesmo considerando que houve aumento do número de vagas em alguns deles, redução da concorrência em outros cursos que não os de licenciatura e que caiu de 18 para 9 a média geral da relação candidato/vaga na universidade, a generalizada queda da concorrência nos cursos de licenciatura é forte evidência de que há pouco interesse pela docência atualmente. 
Mas isso é apenas parte do problema. Um segundo elemento a ser considerado é o elevado índice de desistência da profissão. Grande número dos que se formam professores não terão as salas de aula como destino ocupacional. A universidade fez elevado investimento, nas duas últimas décadas, criando cursos exclusivamente de licenciatura, em que a escolha precede o vestibular. Grande parte dos alunos desses cursos diz explicitamente que a sala de aula não é a sua opção. E um dos motivos mais apontados é a informação sobre o elevado índice de abandono da profissão, isto é, professores experientes que se afastam por adoecimento ou por não suportarem mais ser vítimas de violência física e/ou simbólica no cotidiano da sala de aula. 
Internamente, a Universidade tem enfrentado o problema com ações como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), que concede bolsas de estudos e um trabalho de formação diferenciada para alunos dos cursos de licenciatura. Contudo, se não forem modificadas as condições gerais da docência, para fazer dela uma carreira atraente, simplesmente não teremos professores para atuarem na universalização da educação básica.

Artigo de João Valdir Alves de Souza, professor de Sociologia da Educação na FeE/UFMG, coordenador do Colegiado Especial de Licenciatura e do Grupo de Pesquisa sobre Formação de Professores e Condição Docente.

Fonte: Articulando Educadores:    

06 novembro, 2011

PROPOSTAS PARA GESTÃO-2012 DO ESTÁGIO DE BACHARELADO


UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS
CURSO DE GRADUAÇÃO BACHARELADO EM CIÊNCIAS SOCIAIS

PROPOSTA DE TRABALHO (em Construção)

COORDENAÇÃO DO ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO DO
BACHARELADO EM CIÊNCIAS SOCIAIS

PROPOSTA PRELIMINAR

Projeto
OBSERVATÓRIO DA PROFISSÃO DE SOCIÓLOGO NA CIDADE DE SÃO LUÍS


Coordenação:
Prof. Dr. Alexandre Fernandes Corrêa
São Luís/MA/2011


OBSERVATÓRIO DA PROFISSÃO
DE SOCIÓLOGO NA CIDADE DE SÃO LUÍS

A Proposta de criação de um Observatório da Profissão tem em vista a criação do futuro Laboratório de Prática Profissional em Sociologia. Trata-se de um projeto vinculado as atividades de Estágio Curricular Obrigatório do Curso de Bacharelado em Ciências Sociais, com o objetivo de realizar trabalho de pesquisa e registro sobre as condições reais de exercício e desenvolvimento da profissão de Sociólogo, na cidade de São Luís.
O Observatório da Profissão de Sociólogo atuará através do acompanhamento das situações de formação, estágio e campo de trabalho dos Sociólogos – considerando as exigências que lhes são colocadas pelo mercado de trabalho e a sociedade –, de modo a ser possível obter informações sobre elementos pertinentes para a compreensão da realidade do profissional formado pelo Curso de Ciências Sociais.
Como se sabe, por enquanto, apenas a profissão de Sociólogo é reconhecida pelo Ministério do Trabalho (DECRETO Nº 89.531, de 05 de abril de 1984); sendo a única profissão regulamentada (Lei nº 6.888, de 10 de dezembro de 1980), a qual o egresso do Curso de Bacharelado em Ciências Sociais pode ter acesso e direito.
Desse modo, seguindo as diretrizes legais que regem a profissão, buscaremos levantar dados mais precisos sobre as condições atuais da profissão de Sociólogo; porém, sem deixar de considerar as possibilidades de reconhecimento futuro do Antropólogo e do Politicólogo.
Temos em vista certa preocupação, estimulada pela atuação recente da Federação Nacional dos Sociólogos - quanto a possível criação de Conselhos Estaduais e do Conselho Federal de Sociólogos -, vamos somar esforços nos aproximando do Sindicato dos Sociólogos do Maranhão, para que se possa construir um quadro de referência para os graduados em Ciências Sociais. 
O OBSERVATÓRIO DA PROFISSÃO SOCIÓLOGO – articulado ao Laboratório de Ensino em Ciências Sociais (LECS), e por um Grupo de Trabalho composto por estudantes, professores e profissionais – deve trabalhar para a obtenção de dados necessários à realização da tarefa de realizar o mapeamento e o registro dos profissionais que atuam como Sociólogos, e desenvolver também um trabalho orgânico no sentido de estabelecer as bases de uma CULTURA PROFISSIONAL do Sociólogo, na cidade de São Luís.
Entre as tarefas a serem realizadas por esse Observatório, em curto, médio e longo prazo – com vistas à criação do futuro Laboratório de Prática Profissional em Sociologia (LPPS); sugere-se:

  1. Promover as condições de desenvolvimento da EMPRESA JÚNIOR DE SOCIOLOGIA, que servirá de base para a realização dos trabalhos e pesquisas apontados nos itens seguintes;
  2. Levantamento sobre a formação profissional dos docentes do Curso de Ciências Sociais e do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMA e UEMA;
  3. Realizar estudo quantitativo sobre as instituições que demandam sociólogos nos quadros da organização profissional, quais os níveis, áreas e habilitações e em que quantidade;
  4. Levantar estimativas sobre as necessidades de profissionais e estagiários nas instituições governamentais e privadas para os diferentes níveis, habilitações e áreas disciplinares;
  5. Estudo sociológico sobre as razões pelas quais as vias de profissionalização no sistema de ensino médio não têm o sucesso esperado;
  6. Criar acervo bibliográfico atualizado sobre a ‘cultura profissional’ do sociólogo na sociedade brasileira, na América Latina e no Mundo;
  7. Realizar estudos de avaliação sobre as competências e habilidades profissionais dos graduados nos últimos 5 anos e a sua relação com os modelos de formação e instituição de origem;
  8. Pesquisar a situação profissional dos egressos do Curso de Ciências Sociais, nos últimos 5 anos;
  9. Levantar as Monografias do Curso de Ciências Sociais que tratam da questão da profissionalização do egresso do Bacharelado;
  10. Criar folders e material informativo sobre a profissão de sociólogo, para entregar nas instituições que têm potencial para contratação de sociólogos;
  11. Promover ações de divulgação, palestras, cursos, oficinas, etc., sobre a carreira de Sociólogo nas instituições privadas e públicas da cidade de São Luís;
  12. Estimular a criação de projetos nos setores de Marketing, Recursos Humanos, Redes Sociais, Responsabilidade Social, Pesquisas Eleitorais e de Opinião, Políticas Públicas, Pesquisa de mercado, de Assessoria Política, Eleitoral, Projetos de Gestão, Levantamentos de Dados, etc., entre outros;
  13. Promover cursos sobre Análise de Dados Nominais como Análise Exploratória de Dados, incluindo os softwares aplicáveis, como o SPSS, Minitab, Geoda, SAS, etc;
  14. Criar um cadastro de sociólogos informando habilidades, competências, especialidades, trabalhos, pesquisas e estudos desenvolvidos, áreas de atuação; cadastro para ser consultado pelas entidades que necessitam contratar sociólogos;
  15. Promover um evento local da Federação Nacional dos Sociólogos: http://www.fns-brasil.org/site/index.asp; 
  16. Intensificar o uso do BLOG Sociologia e Sociólogos, para a difusão dos trabalhos do OBSERVATÓRIO e do LECS: http://sindicatosociologosma.blogspot.com/;
Proposta da Coordenação de Estágio Curricular Obrigatório Supervisionado do Bacharelado em Ciências Sociais (Gestão - 2012)

São Luís, Março de 2012.
Prof. Dr. Alexandre F. Corrêa

28 outubro, 2011

VII SEMINÁRIO DE LICENCIATURA


19 julho, 2011

CULTURA PROFISSIONAL DO SOCIÓLOGO

TÓPICOS DE UM DEBATE NO SINDICATO DOS SOCIÓLOGOS DO RIO DE JANEIRO

Aproveitamos a oportunidade para relatar os ardis na construção de um perfil profissional para os Sociólogos egressos dos cursos de Ciências Sociais, especialmente em São Luís/MA. Após mais de 25 anos de curso - com professores lotados no Departamento de Sociologia e Antropologia (com mais de 35 docentes), concursados com diplomas em Teologia, Psicologia, Pedagogia, História, Filosofia, Assistente Social, Medicina, etc., - não conseguimos criar um Estágio de Bacharelado condizente com os anseios dos estudantes, com as exigências da Lei e das Normas do MEC. 
Como não há campo de estágio - em função de mais de 25 anos de desinteresse pela formação profissional - os discentes são direcionados para os Grupos de Pesquisas dos Professores; o que na prática significa serem condicionados a só ter como opção seguir uma carreira acadêmica na Pós-Graduação. 
A mentalidade dominante é aquela que defende que a Sociologia deveria ser uma disciplina academista, oferecida no Ensino Superior; nada de ser uma carreira profissional, ou até mesmo, nada de ser oferecida no Ensino Médio. 
Quando Associações Científicas, como a ABA, desprestigiam os diplomas em Ciências Sociais, e até mesmo em Antropologia, e em Sociologia, dá o sinal para os estudantes que possuir diplomas destes cursos é indiferente. Difunde-se assim uma mentalidade academista, intelectualóide, anti-profissional, em que os egressos nunca são colocados em contato com outras, e novas, opções e possibilidades profissionais.  
O 'academismo' nos parece um escudo que se usa para encobrir práticas duvidosas, pois é exercício de poder simbólico a partir de capital cultural acumulado por pouquíssimos; quase sempre como estratégia carreirista. Se não se estabelecem regras e códigos universalizantes de acesso as competências e as habilidades, com a conseqüente definição adequada de pertinências profissionais, instauramos um quadro de indefinições muito pernicioso... Não queremos ser formalistas, mas temos assistido a um verdadeiro vale-tudo; sob o disfarce da inter/multi/disciplinaridade, transversalidade, etc. É uma mascarada academista; sem querer ser desagradável - não estamos tratando aqui de casos particulares, mas de dominantes psicossociais... 
Tal ideologia é ardilosa e tem nos lançado num labirinto sem saída, já que os egressos dos cursos de bacharelado não conseguem construir um perfil profissional (é só perceber a dificuldade da sindicalização). Para os academistas um Sindicado dos Sociólogos é uma aberração: - Intelectual acadêmico é um "espírito livre"! Desqualifica-se a luta profissional, em nome de um "pesquisador flaneur". Isso até pode ter algum glamour boêmio, e funcionar nos botequins da vida, mas e os bacharéis que querem ter um ofício sociológico e sustentar a si, a seus filhos e a sua família?
Sinceramente, tal estado de coisas é lamentável e nossa complacência com isso, - que no fundo é uma cumplicidade pequeno-burguesa - já chegou ao limite do paroxismo! 
Assistimos, há décadas, essas (im)posturas; especialmente quando, de modo cínico, se diz que a Sociologia não é profissão, é um saber; mas quando interessa é "muito profissional" e "tecnocrática"! (...)
Não temos ainda posição firmada sobre a questão dos Conselhos (Regionais e Federal) ou Sindicatos; para nossa profissão. Gostaríamos, no entanto, de continuar contribuindo para o debate introduzindo mais alguns aspectos - particularmente relacionados as possibilidades de criação e difusão de uma 'cultura profissional' para o sociólogo. 
Nossa experiência em Coordenação de Curso de Graduação em CS, por duas oportunidades, nos fez conhecer, e ter que refletir, problemas que nunca tínhamos pensado; mesmo depois de quatro anos de formação no IFCS/UFRJ (aliás, um curso que, na época, foi levado sem qualquer compromisso profissional, por grande parte dos docentes). Quando pensamos nisso, lembramos de Maurício Tragtemberg e seu texto 'A Delinquência Acadêmica'... Aquelas atitudes negligentes dos docentes - salvo raras e heroicas exceções - em relação ao Curso e a formação dos discentes, é muito lamentável! 
Bem, mais desculpando os excessos no peso das palavras mais críticas, consideremos os seguintes aspectos:     

1. Queremos ser 'Profissão'?

Nossos alunos que gostam de Sociologia, e que não vão seguir carreira como docentes de nível médio ou superior, têm tomado algumas atitudes interessantes. Eles continuam o curso e tem apego a disciplina, contudo, como não encontram compromisso profissional dos docentes (totalmente desorganizados como categoria profissional), resolvem fazer outro curso de graduação. Assim, temos nossos alunos cursando, as vezes simultaneamente, Contabilidade, Direito, História, Pedagogia, Psicologia, etc. Cursos que têm 'cultura profissional' já estabelecida. Nossos alunos então procuram compensar essa angústia de gostar de um Curso, sem cultura profissional, cursando outro que lhes dá essa segurança. Resultado disso, é a difusão de uma mentalidade em que a Sociologia se confunde ainda com um tipo de Filosofia Social; ou algo como uma cultura de Humanidades, a qual nossos alunos se vêm atraídos por alguma vocação, mas que não desenvolve profissionalmente. Sociologia se torna um tipo de hobby, um requinte intelectual, um papo interessante para as festinhas da Universidade...

2. Empresa Júnior de Sociologia (EJ): é possível?

Outro ponto interessante é o que concerne a possibilidade de criar uma E.J. A maioria se pergunta: mas como? Sociólogo serve pra quê? Pergunta que se faz durante o transcorrer do próprio Curso! Até professores do Curso dizem que isso não é possível, e que não tem nada a ver criar uma E.J. Mas, quantas oportunidades profissionais uma EJ não abriria para os estudantes? Pesquisa de mercado, de opinião, de assessoria política, eleitoral, projetos de gestão, levantamentos de dados, etc. 
No tempo em que era Coordenador, comerciantes e empresários, vinham propor esse tipo de trabalhos! Mas, o intelectualismo e o academismo, bloqueavam, e bloqueiam... Até hoje já houveram 3 EJ's que desaparecem por falta de apoio dos docentes. A título de ilustração, o estágio de bacharelado é atualmente dirigido por uma Psicóloga, com formação em Psicanálise!

3. O que fazer?

Esse quadro é desalentador, pois é difícil criar uma cultura profissional enfrentando uma contra-cultura profissional; cultivada pelos próprios docentes. A cultura anti-profissional é muito poderosa, em nossa área. Caso não haja uma definição mais específica para a atuação do profissional, e, - de modo mais corporativo mesmo -, não se desenvolver essa cultura, continuaremos vivendo esse cenário de indefinição; difundindo uma mentalidade 'intelectualista' e pseudo-academista. Tendo em vista que a indefinição quanto as competências e as habilidades profissionais se perpetue, os alunos e estudantes continuarão considerando a Sociologia um tipo de conhecimento diletante, humanístico, etc. Essa é a questão a ser enfrentada; ou assumimos a Sociologia como pesquisa, docência e TAMBÉM, profissão, ou desistimos de tentar cultivá-la como 'profissão'. Nessa última opção, não é preciso Sindicato ou Conselho, pois professor tem seus sindicatos, e o pesquisador, responde pelos Conselhos de Ética da pesquisa; nas associações científicas... Caso consideremos a possibilidade real de uma profissão de sociólogo, como uma profissão autônoma e liberal (no sentido profissional), então, temos que trabalhar, e muito, para a difusão de uma cultura profissional do sociólogo (tarefa que parece ser exclusiva dos sindicatos). Nessa escolha, devíamos produzir vasto material de difusão de uma cultura profissional do sociólogo, recolhendo experienciais internacionais; promovendo, de modo intenso e massificador, nosso trabalho profissional. Esse é o desafio: superar a fase intelectualista e academista da disciplina, e dar o salto de qualidade para a atuação profissional.

4. O tema do debate: a profissão de Sociólogo é impossível? 

Ela é possível nessa sociedade? Ou trata-se de uma atividade ou disciplina científica e intelectual, sem utilidade profissional concreta? Sociologia pode ser uma atividade profissional? Um sociólogo pode ser produtivo; ou sua visão crítica de tudo atrapalha e é improdutiva? Quem pode exercer um trabalho sociológico? Qualquer um? Precisa ou não de diploma de bacharelado? Temos uma lei federal, desde 1984: diferentemente do 'antropólogo' e do 'politicólogo'... Mas, muitos de nós ainda não ofereceram a resposta adequada a estas questões essenciais. Aliás, na verdade, não querem, e nem desejam respondê-las... daí o conformismo... Em termos teóricos seria bem interessante retomar as ideias de Immanuel Wallerstein, especialmente as reflexões contidas na obra que tem o sugestivo título O Fim do Mundo como o Concebemos: a Ciência Social para o século XXI. De algum modo devemos 'impensar' os cânones de nossa disciplina e superar esses impasses. Pode ser que, na verdade, a profissão de 'sociólogo' seja impossível! Ao menos no contexto em nos encontramos inseridos... Mas, pode ser que seja possível; todavia, sobre outro patamar de atuação...
Saudações sociológicas! 
Alexandre F. Corrêa

(...) Contribuição ao Debate:

Gostaria de responder algumas questões e levantar outras tendo em vista que sou um Sociólogo Profissional há seis anos no mercado. A pergunta sobre se queremos ser profissão já denota que sua experiência com a Sociologia se limita à academia. Visto que nós já somos uma Profissão bem reconhecida e com respeitáveis salários tanto no Brasil como no exterior. O que acontece é que como existe uma negação da academia as demandas do mercado a maioria dos nossos colegas se formam como analfabetos funcionais em Sociologia. Desta maneira não conseguem emprego na área ou bons salários pelo simples fato de desconhecerem as aplicações básicas da Sociologia. Por exemplo, boa parte dos Sociólogos formados cursou somente Estatística I enquanto que no mercado profissional da Sociologia é esperado que um Sociólogo saiba bem tanto Análise de Dados Nominais como Análise Exploratória de Dados, incluindo os softwares aplicáveis, como o SPSS, Minitab, Geoda, SAS, etc. De fato vários Sociólogos hoje são dotados de dupla graduação, onde me enquadro. Alguns cursam Sociologia somente como um requinte intelectual. Mas aqueles Sociólogos de dupla formação que atendem a demanda do mercado, trabalham como Sociólogo, visto as boas oportunidades de emprego e de salário. A minha opção pela Sociologia, ao invés do Direito, se deu por esse fato. Tive melhores oportunidades de trabalho e salário que a maior parte dos meus colegas que fizeram Direito, inclusive os concursados. as exceções são raras. O salário inicial de Sociólogo é maior do que o de um recém formado em Direito atualmente. Vários amigos com formação dupla em Sociologia e outros cursos estão no mercado como Sociólogos pela mesma razão. Mas seus currículos apresentam matérias eletivas reconhecidas pelo mercado, como Marketing e métodos quantitativos, assim como passaram pela Empresa Junior ou Núcleos de Pesquisa de outros departamentos que estão ligados ao mercado. 

EMPRESA JUNIOR EM SOCIOLOGIA

Garanto que a Empresa Junior hoje já não é uma questão para ser debatida, mas sim a primeira possibilidade de inserção no mercado daqueles que desejam atuar como Sociólogos. Muitas vezes a única oportunidade para aqueles que chegaram à faculdade oriundos de classes sociais menos privilegiadas. Hoje uma graduação de Ciências Sociais sem Empresa Junior é uma instituição fora da realidade. Em nossa empresa a seleção dá preferência aos formandos que passaram pela Empresa Junior. A cultura profissional de Sociologia já existe, principalmente com a ascensão dos setores de Marketing, Recursos Humanos, Redes Sociais, Responsabilidade Social, Pesquisas Eleitorais e de Opinião, Políticas Públicas e outros onde dominamos e comprovamos ter competência estabelecida. Este discurso acadêmico anti-profissional é meramente político e desconectado da realidade do mercado, além de totalmente irresponsável. Eu conheço professores acadêmicos e colegas com esse discurso, mas que vieram a necessitar dos serviços dos Sociólogos Profissionais. Os salários e carreiras na nossa área somente são bons e competitivos com outras profissões pelo fato de que poucos Sociólogos saem devidamente qualificados da academia para atender ao mercado. Quantos colegas vocês conhecem que são capazes de analisar uma regressão linear? Quantos bacharéis são formados sem nunca ter visto um laudo antropológico utilizado em processo de demarcação de território indígena ou quilombola? O problema da profissão não está no mercado, mas sim na formação acadêmica do Sociólogo. No fim os cursos de graduação só dão base para a licenciatura. O bacharelado é outro perfil - quem não tiver visão ou orientação durante a graduação perdeu a chance de ser um profissional. Assim no momento o bacharelado produz alguns poucos futuros professores universitários, mas sem qualquer experiência profissional - requisito este indispensável em profissões como Direito, Medicina e Engenharia nos quais o profissionalismo é valorizado. 
Att., Alessandro Farage Figueiredo.